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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Câncer

Uma equipe de especialistas americanos dirigida por Sandra Ryeom, do Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos, descobriu que as pessoas que nascem com a síndrome de Down, causada pela trissomia do cromossomo 21, têm duas cópias de um gene que parece proteger do câncer.

O câncer sólido é o aumento anormal do número de células em órgãos sólidos, como o seio ou a próstata, em oposição à leucemia, que afeta o sangue e a medula óssea.

Os pesquisadores descobriram que esse duplo gene, chamado DSCR1 e encontrado no cromossomo 21, desacelera o crescimento dos tumores em uma espécie de rato.

O DSCR1 parece trabalhar em conjunção com outro gene do cromossomo 21, o DYRK1A, interferindo no processo de sinalização da enzima calcineurina, que permite aos tumores desenvolver sua própria vascularização.

Segundo a "Nature", a descoberta abre novas possibilidades de tratamento para reduzir ainda mais a frequência dos cânceres sólidos nos portadores de síndrome de Down, e aponta a atividade da calcineurina como uma possível via de intervenção terapêutica.

Fonte: EFE

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Biofabris


A união interdisciplinar entre as áreas das engenharias, medicina e tecnologias da informação foi concretizada no fim de abril, em Campinas (SP), em evento que resultou no lançamento oficial do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biofabricação (Biofabris), sediado na Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Na ocasião, os pesquisadores compartilharam trabalhos de pesquisa multidisciplinar, discutiram desafios das três áreas do conhecimento e planejaram ações do instituto para os próximos anos.

O Biofabris se destina à integração de ferramentas computacionais, criação de novos materiais e aplicação de técnicas das engenharias para a obtenção de dispositivos biomédicos, como próteses e órteses ortopédicas, e de substitutos biológicos para tecidos vivos ou órgãos humanos defeituosos.

“O instituto pretende agregar conhecimentos de várias áreas da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento de processos e produtos, sejam eles manufaturados ou feitos por meio de técnicas computacionais avançadas, para uso na saúde humana”, disse Rubens Maciel Filho, professor titular do Departamento de Processos Químicos da FEQ e coordenador do Biofabris, à Agência FAPESP.

“A proposta é estudar novos materiais, tanto poliméricos como cerâmicos e ligas metálicas, construir peças e até mesmo desenvolver tecidos para órgãos do corpo humano. Nesse caso, os avanços em prototipagem rápida permitirão a produção de peças com o formato adequado para cada tipo de órgão, a partir de informações digitalizadas de tomografia computadorizada, por exemplo”, destacou Maciel, que também é um dos coordenadores do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

O Biofabris é um dos nove Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) com sede na Unicamp e um dos 44 no Estado de São Paulo, onde estão sendo instalados por meio do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia do MCT/CNPq/FAPESP.

Confira a íntegra da reportagem no site da Agência Fapesp (www.agencia.fapesp.br)

Fonte : Agência Fapesp

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Autismo


Estudos que envolveram cientistas de 30 instituições de pesquisa nos Estados Unidos acabam de dar uma importante contribuição ao conhecimento sobre o autismo, desordem que afeta a capacidade de comunicação e de estabelecer relacionamentos, ao identificar fatores genéticos que afetam o risco de manifestação do problema.

Segundo as pesquisas, tais variantes genéticas são comuns em pessoas com autismo. Essa é a primeira vez em que se identificou uma relação direta entre o código genético humano e a desordem.

O principal estudo, que envolveu mais de 10 mil pessoas, incluindo portadores da desordem, familiares e outros voluntários, em diversos estados do país, foi coordenado por Hakon Hakonarson, professor da Universidade da Pensilvânia e diretor do Centro de Genômica Aplicada do Hospital Infantil da Filadélfia.

Os resultados estão em artigo publicado nesta terça-feira (28/4) no site da revista Nature e destacam a importância de genes que estão envolvidos na formação e manutenção de conexões entre células cerebrais.

O estudo se baseou em polimorfismos de nucleotídeos únicos, responsáveis pela maior parte das variações genômicas na sequência do DNA. Entre as variantes genéticas identificadas, está uma que se mostrou altamente comum em crianças autistas.

Em seguida, ao analisar a atividade do gene – chamado de CDH10 – no cérebro em fetos, descobriram que ele tinha maior atividade justamente nas regiões ligadas à linguagem e aos relacionamentos sociais.

O trabalho indica que o CDH10 tem papel fundamental no desenvolvimento cerebral e pode contribuir para o risco de autismo. “Enquanto essa variante genética é comum na população em geral, descobrimos que ela ocorre cerca de 20% mais frequentemente em crianças com autismo. Uma mudança importante como essa no código genético é muito mais do que uma simples mutação. Trata-se de um fator de risco para a origem da doença”, disse Daniel Geschwind, diretor do Centro para Tratamento e Pesquisa em Autismo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), um dos autores da pesquisa principal.

O grupo da UCLA analisou o DNA de 3,1 mil crianças com autismo em 780 famílias – cada família tinha pelo menos duas crianças com o problema. O processo relacionou a desordem com uma região específica do cromossomo 5.

Uma nova análise, dessa vez com 1,2 mil portadores e 6,5 mil pessoas no grupo controle, foi feita pela equipe de Hakonarson. Os pesquisadores avaliaram a relação entre mais de meio milhão de variantes genéticas com o autismo e identificaram seis alterações que ocorriam mais frequentemente em crianças autistas do que nos indivíduos saudáveis. As variações estavam no cromossomo 5 entre os genes CDH9 e CDH10.

Na sequência do estudo, o grupo na UCLA verificou a presença dos dois genes no cérebro humano em desenvolvimento. Enquanto a presença do CDH9 foi pequena, o CDH10 se mostrou especialmente presente e ativo no córtex frontal, região crítica para a linguagem, comportamento social e raciocínios complexos como os envolvidos no processo de julgamento.

“Trata-se de uma descoberta marcante. Não é coincidência que um gene ligado ao autismo apareça em alta concentração em regiões do cérebro que regulam a fala e a interpretação social. Nossa pesquisa sugere que o CDH10 é acionado em um estágio muito inicial e tem um papel importante no desenvolvimento do cérebro. Sua atividade pré-natal torna o indivíduo mais suscetível ao autismo”, disse Geschwind.

A descoberta dos genes reforça estudos recentes que apontaram que crianças com transtornos do espectro autista (como o próprio autismo ou a síndrome de Asperger) podem ter conectividade reduzida entre neurônios e com pesquisas que verificaram desenvolvimento anormal nos lobos frontais do cérebro em pacientes com autismo.

“Nossos resultados, quando somados com estudos anatômicos e de imagens de ressonância magnética funcional, sugerem que os transtornos do espectro autista possam ser um problema de desconexão neural”, disse Hakonarson.

O artigo Common genetic variants on 5p14.1 associate with autism spectrum disorders, de Hakon Hakonarson e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Diabetes


Iniciado em 2003, um tratamento inovador para pacientes de diabetes tipo 1 – baseado em altas doses de quimioterapia e no transplante de células-tronco extraídas de seus próprios organismos – apresentou resultados promissores em abril de 2007. De um grupo de 15 pessoas, 14 foram dispensados das altas doses diárias de insulina, pois seus organismos voltaram a produzir a substância.

Dois anos depois, a mesma equipe de pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP –, coordenada pelo médico Julio Voltarelli, volta a mostrar resultados importantes.

Com um acompanhamento mais prolongado, o novo estudo, publicado também no Journal of the American Medical Association (Jama), revela que a maioria dos pacientes permanece independente da insulina, com bom controle glicêmico. Além disso, aqueles que precisaram voltar a injetar a substância tomam doses bem mais baixas.

“Aumentamos o seguimento e mostramos que, apesar de verificar recaída em um número de pacientes, a produção endógena de insulina aumenta tanto no grupo que recai como naquele que se torna independente das injeções”, disse Voltarelli à Agência FAPESP.

O diabetes tipo 1, também conhecido como diabetes juvenil ou insulino-dependente, atinge cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil. Segundo Voltarelli, apesar de corresponder a, no máximo, 10% dos casos da doença, é justamente o tipo mais grave, principalmente para crianças.

Os estudos foram realizados com pacientes em estágio inicial da doença, até seis semanas após o diagnóstico. O grupo de 15 pacientes estudado em 2007 foi aumentado para 23. O acompanhamento total dos voluntários, que têm entre 13 e 31 anos de idade, foi feito de novembro de 2003 a abril de 2008. A média de acompanhamento, desta vez, é de 30 meses.

Leia a íntegra dessa reportagem no site da Agência Fapesp (www.agencia.fapesp.br)

Fonte: Agência Fapesp

sexta-feira, 27 de março de 2009

Catavento


São Paulo acaba de ganhar um novo espaço de divulgação científica, que reúne em 8 mil metros quadrados 250 instalações diferentes. O Catavento, espaço interativo de artes, ciência e conhecimento montado no antigo Palácio das Indústrias, foi inaugurado nesta quinta-feira (26/3) pelo governador José Serra.

Inspirado nos principais espaços dedicados à iniciação científica do mundo, o Catavento teve investimento total de R$ 20 milhões. Fruto de parceria entre as secretarias de Estado da Cultura e da Educação, será administrado pela Organização Social Catavento Cultural e Educacional, sob a supervisão da Secretaria da Cultura.

No espaço, crianças, jovens e adultos podem tocar em um meteorito, conhecer o corpo humano por dentro, entender como funciona um gerador de energia ou descobrir que o Sol, visto de perto, não é tão redondo como parece.

Do átomo ao Sistema Solar, de minúsculos insetos aos maiores animais, das leis da física às transformações químicas, do ecossistema à questão da preservação ambiental, tudo é apresentado didaticamente e de maneira lúdica. Mostrando cuidado com os detalhes, as seções ganham iluminação e sons diferentes, contribuindo para criar uma atmosfera envolvente.

Algumas das instalações interativas podem ser manipuladas sem ajuda – painéis explicam como fazê-lo. Outras necessitam de guias, educadores e monitores que interagem nas atividades: organizam jogos de perguntas e respostas, demonstram experimentos de química e explicam leis da física. No espaço dedicado à nanotecnologia, eles promovem uma gincana com as crianças.

O espaço fará parte do programa “Cultura é Currículo”, da Secretaria da Educação, cujo objetivo é democratizar o acesso de professores e alunos da rede pública estadual a bens e produções culturais e diversificar situações de aprendizagem.

SERVIÇO

Catavento
Local: Palácio das Indústrias – Parque Dom Pedro II, região central da capital paulista
Funcionamento: De terça a domingo, das 9h às 17h (bilheteria fecha às 16h)
Ingresso: R$ 6 e meia-entrada para estudantes e idosos
Idade mínima para visitação: recomendado para crianças a partir de 6 anos
Estacionamento: R$ 8 por até 3 horas. Capacidade para 200 carros.
Infraestrutura: acesso para pessoas com deficiência locomotiva
Mais informações: www.cataventocultural.org.br

Fonte: Agência Fapesp

Foto: Gilberto Marques/GSP

quinta-feira, 26 de março de 2009


Quem sofre de insônia crônica está até cinco vezes mais propenso a ter pensamentos paranóicos em comparação às pessoas que dormem bem, segundo estudo feito no King’s College de Londres. É o que os pesquisadores britânicos estão chamando, informalmente, de “a maldição de Macbeth”. Na tragédia shakespeariana, Macbeth passa várias noites em claro e, depois de assassinar o rei Duncan (estimulado por sua esposa, Lady Macbeth que, por sua vez, é sonâmbula), é tomado pela idéia de que seu crime será descoberto a qualquer momento.

A pesquisa revela também que mais da metade das pessoas com paranóia severa atendidas em uma clínica psiquiátrica de Londres tinham dificuldades para dormir. É bem sabido que a falta de sono afeta o funcionamento cerebral de várias formas e, segundo os autores, essas alterações criam condições ideais para “desconectar” a mente do mundo real. Do ponto de vista epidemiológico, a situação é preocupante se considerarmos que até 50% da população tem alguma dificuldade para dormir, alertam os autores. O estudo foi publicado na revista Schizophrenia Research.

A esquizofrenia é tema da matéria de capa da Sentidos 51. O drama encenado pelo ator Sidney Santiago na pele de Ademir, em Caminho das Índias, é uma realidade para muitas pessoas. Nossa reportagem traz informações importantes e esclarecedoras sobre o tema. Vale a pena conferir.

Fonte: Revista Mente e Cérebro

Foto: Biblioteca do Congresso, Washington

terça-feira, 24 de março de 2009

Esperança


Um nova esperança para quem tem doença de Parkinson acaba de ser aberta com o anúncio de um tratamento eficiente e menos invasivo para o problema para o qual ainda não se descobriu cura. A novidade é resultado de um trabalho de pesquisa desenvolvido nos Estados Unidos por um grupo de pesquisadores coordenados pelo brasileiro Miguel Nicolelis, na Universidade Duke.

Trata-se da primeira terapia potencial para a doença a ter como alvo não o cérebro, mas a medula espinhal, a parte do sistema nervoso central contida na coluna vertebral. A descrição do método está em artigo destacado na capa da edição de sexta-feira (20/3) da revista Science.

Os pesquisadores desenvolveram uma prótese para estimular eletricamente o principal condutor de informações táteis para o cérebro. O dispositivo foi conectado à superfície da medula espinhal em camundongos e em ratos com baixos níveis de dopamina, mediador químico indispensável para a atividade normal do cérebro.

O objetivo foi representar em modelos animais as características biológicas de indivíduos com Parkinson, incluindo a grave perda de habilidades motoras verificada em estágios avançados da doença.

Ao ligar o dispositivo protético, os animais tiveram grande melhoria nos movimentos, passando a adotar comportamentos de exemplares saudáveis. Segundo os cientistas, a melhoria foi observada em média apenas 3 segundos após o estímulo.

“Observamos uma mudança imediata e dramática na capacidade funcional do animal que tem sua medula espinhal estimulada pelo dispositivo. Além disso, trata-se de uma alternativa simples e significativamente menos invasiva do que as tradicionais, como a estimulação cerebral profunda, que tem potencial para uso amplo em conjunto com medicamentos tipicamente usados no tratamento da doença de Parkinson”, explicou Nicolelis.

A íntegra dessa notícia você pode ler acessando o site da Agência Fapesp (www.agencia.fapesp.br)

Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 16 de março de 2009

Energia


Hamsters ajudam a enfrentar a crise energética mundial? Apesar do exagero, esses pequenos roedores, ao carregar minúsculos geradores de eletricidade, estão participando no desenvolvimento de novas formas de energia renovável.

Com o uso da mesma aplicação nanotecnológica, um grupo de cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, conseguiu produzir eletricidade a partir do bater dos dedos. A idéia é fazer com que celulares e notebooks possam ser alimentados pelo próprio movimento de apertar as teclas.

“Por meio da nanotecnologia, demonstramos formas de converter até mesmo energia biomecânica irregular em eletricidade. Podemos converter qualquer perturbação mecânica em energia elétrica”, disse Zhong Lin Wang, coordenador do estudo e um dos principais especialistas no mundo em nanotecnologia.

A nova demonstração de conversão de energia biomecânica em eletricidade foi descrita no periódico Nano Letters. O estudo demonstra que nanogeradores – que vêm sendo desenvolvidos por Wang e equipe desde 2005 – podem ser alimentados por movimentos mecânicos irregulares, como a vibração de cordas vocais ou a oscilação de uma bandeira ao vento, além do bater dos dedos ou da corrida de um hamster.

Segundo os autores do estudo, obter energia de baixa frequência representa uma importante conquista, justamente por conta de a energia biomecânica ser variável, diferentemente dos movimentos regulares usados atualmente para a geração de eletricidade em larga escala.

O mais importante foi a demonstração do potencial da tecnologia. Segundo Wang, tais módulos poderiam, por exemplo, ser implantados no corpo humano para acumular energia do movimento de fontes como músculos ou vasos sanguíneos.

A eletricidade resultante seria usada em dispositivos nanométricos para medir a pressão sanguínea ou outros sinais vitais. “Esse estudo mostra que podemos realmente usar movimentos animais ou humanos para gerar corrente para alimentar nanogeradores”, disse Wang.

O artigo Converting biomechanical energy into electricity by a muscle-movement-driven nanogenerator, de Zhong Lin Wang e outros, pode ser lido por assinantes da Nano Letters em http://pubs.acs.org/journal/nalefd.

Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 9 de março de 2009

Epilepsia


Novas funcionalidades em um software capaz de investigar a plasticidade cerebral após a cirurgia de epilepsia, desenvolvidas por Clarissa Yasuda, doutoranda da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), renderam à pesquisadora e colegas, no último ano, dois prêmios nacionais e três internacionais na área de neurologia e epilepsia.

São dois os estudos premiados: um sobre a epilepsia refratária de lobo temporal e outro que aborda a epilepsia extratemporal. “O meu foco nesses projetos são os pacientes com epilepsia candidatos à cirurgia, uma vez que tentaram diversos medicamentos e continuam com crises”, disse Clarissa à Agência FAPESP.

A epilepsia de lobo temporal constitui a forma mais comum da doença, com um grande número de pacientes que não responde aos medicamentos. Por isso, explica a pesquisadora, o tratamento cirúrgico tem sido a melhor opção de tratamento, podendo oferecer um bom controle das crises em aproximadamente 70% dos pacientes submetidos à cirurgia.

O primeiro estudo premiado em 2008 investigou as áreas de atrofia de substância branca e cinzenta em regiões do cérebro associadas a um pior ou melhor resultado cirúrgico. Esse mesmo trabalho também investigou se, após a cirurgia, os pacientes que conseguiram alcançar um bom controle de crises epilépticas poderiam se beneficiar do fenômeno de plasticidade cerebral e conseguir recuperar áreas com atrofia das substâncias branca e cinzenta.

O outro trabalho envolveu pacientes com epilepsia refratária de origem extratemporal, sem, no entanto, fazer relações com o resultado cirúrgico. “Nesse trabalho, investigamos se esses pacientes apresentavam áreas de atrofia de substância branca, como já tinha sido descrito para os pacientes com epilepsia temporal”, explicou.

Um dos principais resultados dos estudos foi a criação de novos códigos para o software SPM2 (Statistical Parametric Mapping, na sigla em inglês), utilizado na pesquisa de neuroimagem e que pode ser baixado na internet em www.fil.ion.ucl.ac.uk.

Essas novas funcionalidades permitem a análise das evidências de neuroplasticidade (regeneração e alterações de volume) nas substâncias branca e cinzenta associadas ao controle de crises em pacientes após a cirurgia. “O fenômeno de neuroplasticidade basicamente consiste na capacidade cerebral de se recuperar de lesões”, disse.

Fonte: Agência FAPESP

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Comemoração


O Dia Internacional da Síndrome de Down foi proposto pela Down Syndrome International como o dia 21 de Março. E a data não foi escolhida por acaso. Ela se escreve como 21/3, ou 3-21 nos padrões americanos, o que faz alusão à trissomia do cromossomo 21, causa genética da síndrome.

A primeira comemoração da data foi em 2006 e, nesse ano coincide com os 50 anos da descoberta da trissomia por Jerome Lejeune. No Brasil vários eventos estão sendo programados para discutir, debater e celebrar o fato. A Federação Brasileira das Associações Síndrome de Down divulga todo o calendário já definido em seu blog - http://fbasd.blogspot.com/ - e ainda promete atualizações periódicas.

Vale a pena conferir a vasta programação, além das novidades na área. E parabéns a Claudia Grabois, presidente da Federação, pelo incansável trabalho que realiza junto com seus colaboradores, e que resultou em várias conquistas. Entender a síndrome é o melhor caminho para a inclusão.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Sistemas Imunológicos


A maioria dos pacientes com esclerose múltipla, doença neurológica crônica de causa ainda desconhecida, tem episódios que são geralmente reversíveis. Mas, com o tempo – geralmente de 10 a 15 anos após o início da doença –, a maior parte desenvolve esclerose múltipla progressiva secundária, que se manifesta na forma de danos neurológicos graduais e irreversíveis.

Um novo estudo, feito por pesquisadores de diversos países, acaba de conseguir reverter déficits neurológicos em estágios iniciais em pacientes com esclerose múltipla a partir do transplante de células-tronco dos próprios indivíduos. As células foram usadas para “reinicializar” seus sistemas imunológicos.

A pesquisa, que será publicada na edição de março da revista The Lancet Neurology, conta com a participação de Julio Cesar Voltarelli, do Centro de Terapia Celular (CTC) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP.

O estudo foi liderado por Richard Burt, do Departamento de Medicina da Universidade Northwestern, que colaborou com Voltarelli e o grupo do CTC em www.agencia.fapesp.br/materia/6983 pesquisa sobre uso de células-tronco em pacientes com diabetes tipo 1.

O estudo agora publicado foi feito com 21 pacientes, com idades entre 20 e 53 anos, que foram submetidos a tratamento entre janeiro de 2003 e fevereiro de 2005. O trabalho indicou melhoria nos 24 meses seguintes após o transplante, com o estado clínico se estabilizando posteriormente.

De acordo com os pesquisadores, os voluntários experimentaram melhorias em pontos afetados pela esclerose múltipla, como o ato de andar, a força nos membros, a perda da coordenação muscular, visão e incontinência.

Os pacientes foram submetidos ao transplante de células-tronco hematopoiéticas autólogas após não terem respondido ao tratamento padrão da doença com interferon beta por pelo menos seis meses.

No estudo, os cientistas trataram os pacientes com quimioterapia para danificar seus sistemas imunológicos. Em seguida, injetaram as células-tronco obtidas do sangue de cada um antes da quimioterapia, de modo a iniciar um novo sistema imunológico.

Três anos após o procedimento, 17 participantes (81%) apresentaram melhoria em pelo menos um ponto na escala de desabilidade e a doença se estabilizou em todos os 21.

Apesar do sucesso, os pesquisadores ressaltam que os resultados do trabalho precisam ser confirmados por novos estudos. Burt, Voltarelli e colegas iniciarão em breve uma nova fase da pesquisa, com um número maior de pacientes.

“Como extensão do trabalho agora publicado, passamos a ter no Hospital das Clínicas FMRP-USP um estudo randomizado, colaborativo, multicêntrico e internacional para testar esse tipo de transplante na esclerose múltipla”, disse Voltarelli, que também é professor titular do Departamento de Clínica Médica da FMRP-USP, à Agência FAPESP.

O artigo Autologous non-myeloablative haemopoietic stem cell transplantation in relapsing-remitting multiple sclerosis: a phase I/II study, de Richard Burt e outros, pode ser lido por assinantes na versão on-line da i>The Lancet Neurology em www.thelancet.com/neurology.

Fonte: Agência Fapesp

Foto: NIH

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Encontro


Eventos gratuitos acontecem de 11 a 18 de fevereiro, em São Paulo, reunindo pesquisadores de renome do Brasil e do exterior, para debater o estágio atual e as perspectivas das pesquisas com células-tronco em nível mundial.

Objeto de interesse crescente da sociedade, o uso de células-tronco no tratamento de doenças provocou, nos últimos anos, um verdadeiro boom no campo das pesquisas científicas no mundo todo. No meio dessa corrida, que ainda está longe de terminar, é importante diferenciar o que já se configura como fato e o que ainda não passa de promessa em torno do assunto. Esse é o propósito do "Encontro Internacional sobre
Células-Tronco".

Estará presente um time de expoentes nacionais e estrangeiros na área de pesquisa, em eventos como debates, palestras, fóruns e encontro informal com o público ("Cafe Scientifique" ). As inscrições são gratuitas, mediante envio de e-mail a
rsvp.sp@britishcoun cil.org.br ou através do telefone (011) 2126 7500.

No www.incor.usp. br (Seção Cursos/Eventos) , o interessado poderá conhecer o PROGRAMA COMPLETO do Encontro, do qual constam: Fórum sobre "Células-tronco: Ficção, Realidade e Ética" (11/12), "Cafe Scientifique: Desmitificação das Células-Tronco" (16/2) e II Simpósio da Rede Latino-Americana de Células-Tronco (16 a 18/2).

SERVIÇO
ENCONTRO INTERNACIONAL SOBRE CÉLULAS-TRONCO
Data: 11 a 18 de fevereiro de 2008
Local: Centro Brasileiro Britânico (CBB), situado na Rua Ferreira
Araújo, 741 - Pinheiros - São Paulo/SP
Investimento: evento gratuito, mediante disponibilidade de vagas.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Armas


O barulho de algumas armas de fogo pode causar lesões cerebrais leves. A informação integra um estudo realizado pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia, que publicou os resultados da pesquisa na revista Journal of Neurotrauma.

Segundo a pesquisa, tiros de armas como os canhões superam os níveis máximos de ruído recomendados que o corpo humano pode suportar. Exemplo disso é que a lesão cerebral traumática é comum nos combatentes americanos no Iraque e Afeganistão.

Os soldados combatentes naqueles países sofreram com falhas de memória, além de transtornos nos processos mentais e problemas emocionais, de fala, visão e audição. A equipe sueca estudou os efeitos do barulho no cérebro de ratos e porcos.

No processo, efetuaram disparos de um canhão Howitzer, uma arma anti-tanque e uma espingarda, além de terem detonado explosivos plásticos sob a água. O Howitzer e a arma anti-tanque superaram os níveis máximos de exposição ao barulho de explosões ou disparos. Com isso, a pele e os ossos não conseguiram proteger o cérebro.

Segundo os cientistas, ocorre uma pressão que pode causar hemorragias no tecido cerebral. Estes resultados são semelhantes às lesões sofridas por soldados feridos ou mortos em guerras. Uma das conseqüências da pesquisa foi o fato de o Exército da Suécia ter restringido a exposição de seus membros a disparos e explosões.

Bom, como se não bastasse tudo o que já conhecemos e temos repúdio, ficamos sabendo de mais um malefício da guerra e de tudo o que ela envolve. Pobres ratos e porcos...

Fonte: Terra, com EFE

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Células-tronco


Cientistas cariocas produziram pela primeira vez no Brasil uma linhagem de células-tronco de pluripotência induzida, ou seja, com características da célula-tronco embrionária, com a vantagem de que não necessitam de embriões para sua obtenção. O feito não é inédito. Quatro outros países já haviam conseguido o mesmo. Japão, Estados Unidos, China e Alemanha. Mas nosso país mostra mais uma vez que faz parte de uma elite científica, no que concerne esse assunto.

Além de facilitar a produção de células-tronco oriundas do próprio paciente, os procedimentos passam ao largo de discussões éticas que envolvem a fabricação ou clonagem de embriões para pesquisa. Stevens Rehen, da UFRJ, é quem está a frente do projeto. Rehen foi fonte da matéria de Saúde da edição 49 da Sentidos e é respeitadíssimo por ambas as correntes de estudo. As que trabalham com células-tronco adultas e a outra, que concentra seus esforços em trabalhos com embriões.

E na esteira das boas notícias, os Estados Unidos aprovaram na última sexta-feira o primeiro teste em seres humanos de uma terapia à base de células-tronco, nesse caso, de origem embrionária. O experimento será conduzido por uma empresa norte-americana (Geron), com o aval da FDA, agência que regula alimentos e fármacos no país. Nos próximos meses, dez pacientes com lesões graves na medula espinhal receberão injenções de um coquetel celular.

Agora é ficar de olho. Com relação ao que acontece nos EUA, atenção dupla. O próprio Rehen, em suas declarações a Sentidos, disse que é preciso muito cuidado com terapias com essas características. "Ninguém quer piorar a vida de um paciente", disse o cientista. Agora é torcer para que os progressos aconteçam. E não há como negar que a esperança de milhares de pessoas só faz aumentar com os avanços que se apresentam, nesses últimos anos.

Fonte: O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Botox


A toxina botulínica é muito comentada e utilizada em clínicas estéticas para diminuir rugas de expressão, porém este não é o único benefício. Produzida pelo Clostridium botulinum , é uma droga que impede a liberação de acetilcolina (neurotransmissor) e relaxa os músculos. Esta neurotoxina é a mesma que causa o Botulismo, grave intoxicação alimentar que compromete o sistema nervoso.

Após anos de estudos científicos foram descobertos seus efeitos terapêuticos. Inicialmente utilizada na cura de patologias oftalmológicas como o estrabismo, hoje tem auxiliado cada vez mais no tratamento de contrações musculares involuntárias. Este é um dos mais importantes avanços da ciência médica e farmacêutica dos últimos anos.

A Fundação Selma, uma instituição privada sem fins lucrativos, trabalha com esse procedimento de ponta, aplicando Toxina Botulínica por meio de micro-estimulação elétrica digital com aparelho americano, para localizar as placas mioneurais (local onde o nervo faz contato com o músculo).

As injeções de toxina botulínica são utilizadas em paraplégicos e em hemiplégicos. Em casos de traumas e doenças do sistema nervoso central, como por exemplo esclerose múltipla e que tenha como seqüela hipertonias musculares (distonias ou espasticidade), derrames cerebrais, crianças com paralisia cerebral.

"Com a toxina botulínica, é possível tratar apenas os músculos afetados diferente de outros remédios, via oral, que enfraquecem todos os músculos do corpo", explica Dr. Luiz Botelho, superintendente médico da Fundação.

Mas além do tratamento com botox, o paciente precisa fazer alguma terapia complementar. "É necessário que a pessoa também esteja engajada num processo de reabilitação física, pois a toxina não devolve a função por si só" , conta Dr. Botelho. A aplicação relaxa os músculos que deixam os braços e pernas endurecidas. Com a flexibilidade conseguida, os terapeutas realizam exercícios de alongamento e fortalecimento, que resultam na melhor funcionalidade do paciente, ajudando a melhorar a marcha, a independência nas atividades diárias e, enfim, a qualidade de vida.

A quantidade de aplicações varia de acordo com o paciente e deve ser feita com um intervalo, de no mínimo, três meses. A partir da terceira ou quarta aplicação, é possível atingir um patamar de benefício e uma recuperação mais rápida.

Fonte: Fundação Selma

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Pé Direito


O blog da Sentidos começa 2009 com boas novas. Pela primeira vez, cientistas conseguiram derivar células-tronco embrionárias autênticas de ratos. A novidade deve ajudar no desenvolvimento de modelos animais mais eficientes para o estudo de doenças que afetam o homem.

O trabalho, feito por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos, foi publicado na edição de 26 de dezembro da revista Cell. Na mesma edição, um grupo liderado por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descreveu conquista semelhante, em estudo independente.

“Trata-se de um desenvolvimento importante na pesquisa com células-tronco porque os ratos estão muito mais próximos do homem do que os camundongos em vários aspectos de sua biologia. Muitos laboratórios pelo mundo mudarão a direção de suas pesquisas por conta da disponibilidade de obter células-tronco embrionárias de ratos”, afirmou Qi-Long Ying, professor da Escola de Medicina Keck e principal autor do estudo.

A descoberta representa um passo à frente no objetivo de criar ratos “nocauteados”, ou seja, modificados geneticamente para que não tenham um ou mais genes e possam ser usados na pesquisa biomédica. Ao observar o que acontece com os animais quando um gene específico é removido, os pesquisadores podem identificar a função desse gene e se ele está ligado a uma determinada doença.

“Sem células-tronco embrionárias autênticas é impossível realizar modificações genéticas precisas para a criação do modelo de doença que queremos. A disponibilidade de células-tronco de ratos vai facilitar enormemente a criação de modelos para o estudo de diversas doenças humanas, como câncer, diabetes, pressão alta ou doenças auto-imunes”, disse Ying.

Fonte: Agência Fapesp


Foto: NIH

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Na Raiz do Alzheimer


Descobrir precocemente alterações no cérebro que podem indicar o início do mal de Alzheimer, a principal causa de demência entre idosos, é um dos desafios da neurologia do envelhecimento.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) acreditam ter identificado a primeira região cerebral a apresentar uma das lesões mais características da doença, os chamados emaranhados neurofibrilares.

O Alzheimer começa no tronco cerebral, mais especificamente numa área denominada núcleo dorsal da rafe, e não no córtex, que é o centro do processamento de informações e armazenamento da memória, como tradicionalmente a medicina postula. Essa idéia é defendida pelos cientistas brasileiros, em parceria com colegas de três universidades alemãs, num artigo a ser publicado nos próximos dias na revista científica Neuropathology and Applied Neurobiology.

A conclusão do trabalho se baseia na autópsia do cérebro de 118 pessoas, que tinham idade média de 75 anos no momento de sua morte. Os pesquisadores constataram a existência de lesões no núcleo dorsal da rafe em oito idosos que não apresentavam emaranhados em nenhuma outra parte do cérebro e em todos os 80 indivíduos que já tinham ao menos um emaranhado no córtex transentorrinal, a região classicamente apontada como a primeira a ser afetada pelo Alzheimer.

Os 88 indivíduos que tinham marcas anatômicas no cérebro associadas a esse tipo de demência apresentavam graus variados de manifestação clínica da doença e alguns podiam ser até assintomáticos.

Você pode ler o texto completo na edição 153 da Revista Fapesp (www.revistapesquisa.fapesp.br)

Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Centros de Excelência


O Estado de São Paulo terá 35 novos centros de produção científica e tecnológica de ponta. Trata-se dos novos institutos que serão instalados no estado por meio do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia do MCT/CNPq/FAPESP em São Paulo.

O programa é conduzido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a FAPESP.

Por meio de termo de cooperação firmado entre a FAPESP e o CNPq serão investidos R$ 187.166.343,00, divididos igualmente entre as duas instituições para o apoio aos 35 projetos selecionados.

O apoio da FAPESP permitiu a duplicação dos recursos federais investidos em São Paulo para criação de institutos no estado. A Fundação também propôs que as duas instituições aprovassem valores adicionais de R$ 25 milhões em razão da alta qualidade das propostas verificada durante o processo de análise.

Os projetos aprovados têm as características dos Projetos Temáticos da FAPESP, modalidade que se destina a apoiar propostas de pesquisa com objetivos suficientemente ousados, que justifiquem maior duração e maior número de pesquisadores participantes.

Fonte: Agência Fapesp

Foto: Eduardo Cesar

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Autismo


O diagnóstico de autismo se dá apenas por volta dos 3 anos, quando um tempo precioso já se perdeu. Mas Patricia K. Kuhl, neurocientista da Universidade de Washington, e seus colegas descobriram que certas diferenças neurológicas e comportamentais podem ser identificadas por volta dos 2 anos. A equipe planeja testar diagnósticos semelhantes em bebês de 6 meses. O objetivo é criar um instrumento de análise que verifique o risco de autismo o quanto antes para permitir uma intervenção.

O cérebro das crianças está pronto para a linguagem por volta dos 3 anos. Sua aptidão lingüística depende muito da capacidade de detectar sinalizadores fonéticos, bem como de prestar atenção à voz de adultos, sobretudo da mãe. A equipe de Kuhl comparou as duas habilidades em crianças autistas e em outras de desenvolvimento normal com idade entre 2 e 4 anos. O cérebro das crianças autistas em idade pré-escolar não mostrou reação à mudança de uma consoante em uma série de sons idênticos (o sinalizador fonético). E elas demonstraram preferir um cantar sem palavras computadorizado a trechos de "mamãnhês" - o modo expressivo, leve e adocicado de falar que as mães costumam usar com crianças pequenas que, como já demonstrado, auxiliam o aprendizado da linguagem.

Fonte: UOL

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Produção de Neurônios


Um importante mecanismo que regula o desenvolvimento de células-tronco em neurônios foi identificado por um grupo de pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC) e descrito em artigo na edição desta terça-feira (11/11) da revista Developmental Cell.


Os cientistas descobriram que a proteína receptora Ryk tem papel fundamental na diferenciação de células-tronco neurais e demonstraram um mecanismo de sinalização que regula a diferenciação à medida que as células se transformam em neurônios.


Segundo o principal autor do estudo, Wange Lu, professor assistente de bioquímica e de biologia molecular na Escola de Medicina Keck da USC, os resultados do estudo poderão ter importantes implicações para a medicina regenerativa e para tratamentos contra o câncer.


“Células-tronco neurais têm potencial para uso na terapia de substituição celular em doenças neurodegenerativas, como Alzheimer ou Parkinson, bem como para lesões na coluna vertebral. O conhecimento resultante de estudos como o nosso poderão ajudar na produção de neurônios para tais terapias e também para inibir o crescimento de células-tronco cancerosas no cérebro”, disse Lu.


Durante o desenvolvimento cerebral, as células-tronco neurais respondem ao meio na qual se encontram por meio da proliferação ou da diferenciação, mas os mecanismos moleculares responsáveis pelo desenvolvimento de tais células e de neurônios não eram conhecidos.


O estudo mostrou que a proteína Ryk funciona como um receptor das proteínas Wnt, exigidas para a determinação celular e para o crescimento e direcionamento de axônios – o prolongamento da célula nervosa por meio do qual é transmitido o influxo nervoso.


Os pesquisadores verificaram que durante o crescimento de células-tronco neurais em neurônios, a proteína Ryk é dividida e movida para o núcleo celular de modo a regular a diferenciação neuronal.


Os autores apontam que mais estudos serão necessários para explorar as maneiras como o receptor regula a expressão genética neural.


O artigo Cleavage of Wnt receptor Ryk regulates neuronal differentiation during cortical neurogenesis, de Wange Lu e outros, pode ser lido por assinantes da Developmental Cell em http://www.cell.com/.


Fonte: Agência Fapesp